28/08/2012

Convite Cine Pasárgada

Cine Pasárgada Apresenta: Meu Filho, Olha o Que Fizeste! (Werner Herzog, 2009) Quinta-feira, dia 30 de agosto, às 18h30. Espaço Pasárgada – Rua da União, 263, Boa Vista Fone 3184- 3165 Pasargada.fundarpe@gmail.com Entrada Franca
Nesta quinta-feira, dia 30, às 18:30h, o Cine Pasárgada exibirá Meu Filho, Olha o Que Fizeste! (EUA/ALE, 2009), uma produção de David Lynch assinada por Werner Herzog. O filme, inédito no circuito brasileiro de exibição, foi sonhado por Herzog durante quase 15 anos, a partir de um crime verídico que lhe inspirou o enredo. Lançado em 2009 como uma sessão surpresa do Festival de Veneza, segundo os curadores, o filme tem potencial para possibilitar um diálogo entre o cinema e outras formas de representação, como o teatro e a literatura, pela inspiração que busca numa tragédia de Eurípides. A sessão contará também com um debate realizado por Fernando Mendonça (que divide a curadoria do evento com Raquel do Monte), crítico de cinema que participou da recente elaboração de um dossiê sobre Werner Herzog, para o site Multiplot! (http://multiplotcinema.com.br/). Um trecho da reflexão de Fernando sobre o filme dá bom indicador do que o Cine Pasárgada pretende discutir a partir do mesmo: “Muito adequada a explícita referência ao Orestes, interpretado pelo protagonista numa peça dentro do filme, jogo de espelhos, acentuação no caráter labiríntico da loucura, desta diluição/desintegração interior que o jovem filho atravessa. Mais do que um exercício de mise en scène, o que vemos nas belas sequências negras, literalmente mergulhadas em escuridão, do teatro, é um complexo desenvolvimento de mise en abyme, como raras vezes Herzog terá tão claramente explorado. Apropriar-se da tragédia grega, como ele aqui o faz, instaura um abismo que nos permite uma compreensão não só das angústias sofridas por suas personas — emoções e reações míticas, originadas num estado primitivo do humano e que para sempre serão universais —, mas que também ilumina um aspecto de seu trabalho enquanto filmografia, enquanto conjunto de filmes que orientam-se sob uma espécie de ‘política do trágico’. É bem verdade que as preocupações de Herzog no cinema, especialmente estas que encontram no mundo físico um contraste para o realce do sublime, são constantemente motivadas dentro de um princípio muito próximo ao da tragédia: exploração subjetiva de indivíduos que agem no mundo e se transformam independente de sua vontade. Se Meu Filho… estampa direta e frontalmente tal especularidade, o faz não de maneira leviana, como para truncar gratuitamente a estrutura do enredo; pelo contrário, encontra aí uma iluminação de questões que até aqui (em sua carreira) poderiam estar carentes de embasamento. É porque Herzog assume o trágico que seus filmes permanecem cristalizados, enigmas que não se rompem ao mero desfecho ou clímax, e nesse sentido, Meu Filho… torna-se exemplo máximo de uma concepção muito particular dentro da narrativa contemporânea.” Crítica completa aqui: http://multiplotcinema.com.br/2012/05/meu-filho-olha-o-que-fizeste-werner-herzog-2009/

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